quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Amor Platônico


Já sabia dos riscos. Sabe, encontro com amor platônico é perigoso. Era sair do mundo das idéias e ir ao real. Mesmo assim resolvi aceitar a proposta. Tremia.
Passei o dia inteiro me arrumando. Meu cabelo não se ajeitava de maneira alguma. Qdo mais preciso dele, me deixa parecendo doida varrida. Perdi a conta de qtas roupas experimentei. Escolhi o perfume que me tornasse inesquecível. A maquiagem foi feita com todo o cuidado para não parecer artificial. Olhando no espelho achei-me bonitinha. Droga! Troquei de roupa enqto treinava possíveis respostas para prováveis perguntas, como “gosto de vc, vamos namorar?” e eu “ah não sei, preciso pensar”. Assim, deveria ser difícil, bem difícil e mto difícil!!!
Cheguei atrasada. Ele esperando encostado próximo a bilheteria. Estava lindo... Uiiiiiiii
Minha perna ficou bamba, a mão suava, um frio percorria a espinha, coração acelerou enqto tentava controlar o riso apaixonado e a cara de besta. Nos abraçamos, na verdade, ele me abraçou, eu me derramei.

Fomos ver um filme, sei lá qual, e só conseguia pensar: seja difícil, seja difícil, seja difícil! Durante o trailer, eqto aproximava-se olhando fixamente para meus olhos, disse: "sim é linda, toda belíssima, só vc a todas roubou toda a graça. Mulher alguma pode se dizer bastante amada quanto amada é por mim. Uma vez que vi vc , nada em mim sobrou! Com mútuas almas amemo-nos um ao outro!"
E,
beijou-me.
Beijou-me...........
Beijou-me!
Não deu tempo de dizer a frase ensaiada...

- Meninaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, olha o leite derramandOOO!
- Ai meO Deus!!!
E foi assim, simples assim, fechando os olhos imaginei tudo.
Ahh devia ter colocado um pedido de casamento!
Fica pra próxima...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Senta que lá vem história...



Episódio 4

Querido Leitor,
o desfecho será contado o mais rápido possível e não falarei a história sobrenatural - vc não acreditaria.

Fui internada, meu quarto estava cheio d'agua por causa da chuva e chorei pra caramba. Não dormia bem. A maca era horrível e a comida mtooo boa. Havia duas moças cristãs no meu quarto - elas fizeram dakele lugar ruim um lugar agradável. Me senti num episódio do House. Fizeram pulsão e uma "cirurgia". Fiz xixi numa comadre! Diagnóstico: Tuberculose Peritonial - fiquei feliz, afinal, podia ser pior!

Importante:
Visitas - ficava contando os minutos para recebê-las, sentia vontade de chorar qdo elas chegavam e iam embora. (eqto escrevia isso fiquei emocionada, é... chorei mesmo!)
Morte - com certeza aconteceu.
Deus - é bom e engraçado!



Obrigada, Deus, por demonstrar tanto carinho e amor num lugar onde só a tristeza e dor. Não quero me esquecer daqueles dias, porque não quero ressuscitar aquela antiga Mônica.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Senta que lá vem história...

Episódio 3

Volte em 5 dias, disse a médica “que dia é hoje?”.

Em 5 dias tudo pode acontecer! Se fosse com Deus, Ele já teria feitos várias coisas que até hj os cientistas tentam explicar...

Lá pela terça-feira minha barriga já estava bem grande - como a de uma grávida de 6 meses - doía muito e minha mente elucubrava no que haveria de ser.
Obviamente que imaginamos os mais terríveis seres que poderiam habitar minha barriga, sabe, aqueles horríveis e nojentos mais conhecidos como Vermes! Terror.
Mais uma vez, pq somos teimosos, fui levada para uma AMAS.

Prepare-se para momentos de horror...
Cheguei logo cedo e sai bem tarde. Vou direto ao fim: passei raiva e vergonha; sem diagnóstico. Fui atendida por uma enfermeira muito simpática, me senti bem. Depois conversei com um médico que mal olhava na minha cara, um homem muito grosso. Mandou-me deitar para apalpar a minha barriga. Doce ilusão.
O monstro quase me matou. Se aquilo é apalpar, definitivamente eu não sei mais o que é! Ou mudam a palavra ou aquele infeliz aprende a fazer. Como eu senti dor, nossa! Ele me mandava respirar enqto me apertava. Como respirar quando se tem vontade de gritar?! "Assim não tem como examinar, ele disse.
Depois da tortura, pediu que fizesse exames de sangue e urina (de novo?) e tomar uma tonelada de soro e dipirona.
Fui tirar sangue, a auxiliar muito inteligente colocou o acesso num lugar onde não podia dobrar o braço. E, só depois de arrumar tudo, lembrou que eu ainda não tinha feito o xixi, assim, não poderia iniciar a medicação. Fui ao banheiro várias vezes tentar fazer o bendito, com uma agulha no braço, na maior dificuldade pra abaixar as calças. Que situação!
Como vcs bem sabem, não consegui fazer o xixi e passaram a sonda, enqto a enfermeira falava Não encontro a entrada dela.
Para minha felicidade não havia urina. Legal né?! E olha que tomara mta água. A enfermeira deu umas apertadinhas na bexiga pra ver se saia o líquido. Saiu.
Fiquei horas tomando soro e remédio, na esperança de ao fim haver uma solução. Doce ilusão2.
Voltei à sala do médico, ele de cabeça baixa sem dizer uma palavra, apenas escreveu, escreveu, escreveu e receitou. Entregou-me.
dipirona?!
Senti vontade de mandar aquele médico arrombad* tomar no c*!
Do fundo do meu coração, O-D-E-I-O esse médico.

Voltei ao HU. Um médico mto atencioso me atendeu, examinou e apalpou com todo o cuidado (sabia que eu sabia o que é apalpar!). Pediu Raio-X e Ultra-som Abdome. \o/
Finalmente alguém fez algo de útil!

Descobriram. Era Ascite.
Próximo passo: Algum médico de deus da Clínica Cirúrgica me atender...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Senta que lá vem história...


Episódio 2

Embora esteja na USP há tanto tempo, nunca tinha ido ao HU. Já pensei sobre, mas sabe né: nunca fico doente!
Pois bem, a Adriana me levou e a Ju ficou comigo. Todos precisamos de apoio moral.
Chegando lá veio o pensamento: será que vão me atender?
Eu estava com dor, mas minha cara continuava linduxa! Eles não iriam acreditar na possível enfermidade.
Na recepção, logo de cara, a mocinha não queria me atender, olhou-me e viu que “estava tudo bem”. Eu, persistente que sou, ia me virando pra sair, entretanto, a recepcionista não contava com a presença da Ju! Esta disse: Ela não está bem, está com muitas dores e precisa passar no médico!
Entrei!

Logo fui atendida por uma médico extremamente belo, tá bom, digo, gato! Expliquei meu caso, ele não me examinou. Pediu logo exame de... de... adivinha?!
De urina!
Recomeçava o drama. Como fazer xixi assim?! Sou traumatizada com esse tipo de exame, pois numa AMAS mandaram a mangueira em mim! Feia essa frase né? Vou melhorar a frase, mas o que sinto não mudará, lá vai: e numa AMAS mandaram sonda na Moniquinha. Foi horrível e desnecessária, mas isso é outra história...

Ahhh, disse que tinha dores na barriga, ele receitou dramin. Injeção.
Caro(a) leitor(a), peço um momento maior da sua atenção! Vcs já tomaram injeção de dramin? Quem já tomou entenderá o que eu vou dizer...
Ao entrar na sala de tortura a enfermeira avisou-me: Essa injeção dói!
Leitor(a) querido(a), qdo uma enfermeira avisa que dói, acredite.
É no braço?
hahahahahahahaha, não.
A enfermeira, a injeção e eu fomos para um cantinho. Virada para a parede perdi o ar, a força e a consciência enqto a enfermeira tentava me distrair com perguntas inúteis durante a entrada do maldito líquido cortante. No final comecei a rir, rir e rir. De desespero, é claro, pq o infeliz do remédio era cruel. Ria pq era o que me restava...

Faltava o xixi. Sempre ele. Demorei uma hora pra fazer. Mas fiz e um montão! Ai que orgulho de mim!
Tudo feito, tudo certo, vamos embora? Doce ilusão.
Era pra esperar o resultado, demorou horas. A Ju e eu já estávamos sem assunto!Doce ilusão2.
Lá pela meia noite, chegamos às 7hrs, fui novamente chamada. Outra médica, esta com cara de “que dia é hoje?”. Olhou o exame e disse: É infecção urinária. Você vai tomar tais e tais remédios.
tá bom. E a dor na barriga?
É por causa da infecção, vou receitar dipirona e a dor vai embora...

Médica jumenta. Médico gato jumento. Ninguém me examinou.
E minha barriga começava a crescer...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Senta que lá vem história...

Episódio 1

A frase clássica e preferida: Eu nunca fico doente!
Na minha família muitas pessoas já ficaram doentes, ou pior, são doentes! É um derrame aqui, um reumatismo ali, diabetes, chagas, falta de ar, circulação, hormônios... Embora todos sejam doentes por aqui, todos vivem bem com suas balinhas ingeridas logo cedo.
Eu nunca tive nada. Pra não dizer nada nadinha de nada, eu tenho preguiça - uma enfermidade não catalogada e sem remédio previamente prescrito.
Mas sempre vivi bem com ela, quem convive comigo nem tanto!

E minha singela vida continuava linda e maravilhosa, apenas leves percalços: ora uma dorzinha de cabeça ora uma cólica, tudo normal. Sem necessidade de remédios. Tenho pavor de remédio. Pra que remédio se eu agüento a dor? E, mais cedo ou mais tarde, ela passa! Doce ilusão.

Veio a febre. Depois de alguma insistência de alguém, resolvi fazer o que não faço, tomei remédio. Fui pra faculdade, jantei, entreguei trabalho, voltei e a febre estava lá. Dormi assim, acordei bem. Ufa! Passou...
Passou nada! Traída pela infeliz doença e a febre voltou! Firme e forte. Eu pensava, já que penso demais, “normal, febre é febre, sempre passa” e fazendo xixi notei outra alteração. Além de pensar demais, eu falo também, e logo falei: tem algo errado! Logo veio o conselho: toma bastante água.
Opa! Fiquei feliz, água é fácil de tomar. Ruim é remédio. Já disse e vou repetir: Não gosto de remédios!

Doce ilusão2. A água não adiantou. Era febre, dor lombar e o xixi alaranjado.
Mesmo sendo dramática e desesperada, eu dizia pra mim mesma: tudo bem, tá tudo bem, já já vai passar. E outras pessoas diziam o mesmo.
Quero ressaltar um dado: quando se é dramática, desesperada e, pior, preguiçosa, ninguém acredita piamente nas suas dores, afinal, pode ser apenas uma supervalorização de uma leve dorzinha...

Doce ilusão3. Não passou. Piorou. Para meu desespero, uma nova dor surgiu: era na barriga. Aiiiiiiiiii que dor. Novamente contrariei meus princípios – dá-lhe remédio! E, pra mostrar minha disposição na solução do problema, fui sozinha a uma AMAS! Praticamente morrendo entrei no busão que deu uma volta ao mundo e quase não cheguei viva ao posto, lá minha moléstia fora confundida com gravidez, diga-se pra os desavisados: Gravidez é totalmente natural e necessita de uma ajuda masculina para ocorrer! Isso disse aos enfermeiros da AMAS, tentando convencê-los de que a “ajuda masculina” passou longe do meu órgão inativo.
Lá pediram exames de sangue e urina. O de sangue foi fácil, não precisava da minha colaboração, embora tenha pavor de agulha, até aí é só fechar os olhos, agora, o de urina... aííííí isso me deu trabalho, nem fechando os olhos e fazendo força – diria que quase fiz outra coisa. Fazer xixi sobre pressão é meu ponto fraco.
Sai de lá sem resultados, sem diagnóstico e acusada de gravidez!

Para meu desespero, a dor e a febre aumentavam. E o xixi continuava dolly fanta.
Para encerrar o primeiro episódio: Uma grande alma teve uma super idéia: Levar a Mônica ao HU.

E minha saga estava apenas começando...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Birimbelo




Com seus lindos dentes brancos,
ela sorri.
Ele conta estórias dizendo que são histórias.
Com seus lindos dentes brancos,
ela sorri,
Ele pensa que está fazendo-a acreditar.
Com seus lindos dentes brancos,
ela sorri.
Não por causa das estórias,
Mas porque ele está ali.

Todas as vezes que passava por um bairro nobre, ela sonhava. Casas grandes, bonitas de se ver. Edifícios altíssimos e espaçosos - de uma casa por andar! Fascínio.
Olhava por fora imaginando dentro: será que a cozinha era bem branquinha? Com aqueles armários feitos sob medida, uma geladeira enorme com muitas coisas gostosas dentro, aiii que delícia!
Ela, do lado de fora, sonhava: E o quarto? Deve ter aquela cama enorme, nem lembro o nome, bem macia, com jogos de edredon e muuuuitos travesseiros. E cortinas!Lá ela poderia, lá isso não lhe causaria alergias, afinal, o ar era outro.
Enquanto andava e se imaginava dona daquelas casas, parou em frente ao ponto. O ônibus passaria lotado. Pesadelo.
Não! Queria continuar sonhando e, enquanto a condução não passava, olhava para a casa, agora, estava na piscina com muitos amigos, tomavam refrigerante bem gelado, ahh o ar fresco trazido pelo vento, a música ao fundo...
Entrou no ônibus. Muita gente. Estreito. Quente. A paisagem mudando. Bairro pobre. Gente demais. Casas amontoadas. Apertadas.
Ainda do ônibus, já noite, ela olha a favela. Muitas casas. Pequenas. Muitas luzes acesas. Várias cores. E lá do ônibus ela descobre uma nova beleza...
A favela iluminada.

e, amigos, agora pra ficar. Porque aqui, aqui é meu lugar!
Eu voltei pras coisas que eu deixei...