
Todo habitante da cidade de SP está de saco cheio do trânsito de SP, já não precisa de chuva e acidente, basta à presença dos próprios carros. Isso se vc puder andar de carro, no ônibus a conversa é outra. Primeiro, lugar é raridade, e nem tente os reservados, eles dão azar! Segundo, se chover, ferrou, além de não ter lugar e estar em pé - apertado por outros tantos infelizes indivíduos - ainda não conseguirá respirar, pois todas as janelas estarão fechadas. Terceiro, sempre tem uma múmia que senta no chão ou numa escada atrapalhando todo mundo. E, óbvio, tuuuudo parado.
Se vc tem carro ainda pode ouvir uma música, fechar as janelas e ligar o ar condicionado. No busao, bom, sempre tem um filho-da-meretriz que ouve funk carioca, sabe, aquele tipo de música suuuper agradável, com letras belíssimas sobre o mais puro amor.
Tenho amigos que têm a experiência de pegar trem, isso será assunto pra outras conversas, mas sei que sofrem por lá também.
Well, treinando rapidamente todo meu english, num belo dia de qualquer dia da semana, estava-me no ônibus Term. Bandeira - Via Marginal, era noite, não chovia, não tinha acidente, não tinha carro quebrado, mesmo assim, para meu desgosto, estava tudo P-A-R-A-D-O. Para piorar, minha bexiga me avisava a todo o momento: xixi xixi xixi xixi xixi
Dormi, xixi, acordei, xixi, estudei, xixiiiiii e continuava no mesmo lugar. Foi dando aquela dor na barriga – tenho uma teoria sobre dores na barriga, outro papo pra outro post – uma angústia, uma vontade de gritar, lembrei do filme “Um dia de fúria”, ai que vontade de matar um prefeito, governador, qualquer um, um dono de banco q usa helicóptero, um motoboy que passa rapidinho, uma cara de bicicleta, um cachorro que anda livremente, minha mãe que devia ta em casa vendo novela!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh que ódio. Vou fazer xixi nas calçaaaaaaaaaas!
Fiquei pensando: descer ou não descer, eis a questão! E se eu descer o trânsito acabar? E se um maníaco loiro, dos olhos azuis, alto, do cabelo cacheado, tentar me agarrar? Uiii
Decidi. Vou descer! Passageiros, uni-vos! Desci.
Comecei a andar, mais ou menos né, pq se desse passos longos seria xixi pernas a baixo. Ao passar por um posto, pensei: É agora ou nunca. Fui até lá, pedi a chave, já imaginando que o banheiro deveria estar naquele estado: bosta pelas paredes, mijo ao redor do vaso, papel higiênico espalhado e muito, muito fedor. Que nda! Super limpinho! Iuuuupe! Minha vida tinha começado a mudar, nem tudo estava perdido! Havia solução pra humanidade. Sorria, Jesus me Ama.
Entrei, fechei a porta concentrando-me para tirar as calças sem fazer xixi antes, sabe né, aquele sufoco, parece que a bexiga sente a presença do vaso sanitário e já manda o xixi vir, eu me contorcendo enquanto abaixava a calça, me agachei, não sentei, é claro, e... ahhhhhhhhhh xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eqto isso, olhando pro chão, reparei um monte de formigas, mtas mtas, todas juntas num só propósito: carregar um cadáver. Era de um inseto, parecia tão pesado e grande para as pobres baixinhas, e estas tão ligeirinhas e espertinhas carregando aquele monstrengo.
Eu fiquei observando o trajeto, percebi que algumas chegavam e cumprimentam as que já estavam por ali, outra guiava mostrando o caminho a ser percorrido. Um espetáculo.
Ahhh , eu ainda estava no xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...
Daí, para meu espanto e incredulidade, a formiga-guia indicou o caminho pelo azulejo da parede, isso mesmo, elas iam subir a parede com o cadáver! Eu não acreditei, abanei negativamente a cabeça dizendo: Não, Não, Não é possível! Xô no creO!
E a formiga-guia gritava:
Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaamos! Fooooooooooooooooooooooooorça!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh – diziam as que carregavam
Subaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaam, Foooooooooooooooorça!
Elas subiram! \o/
Meu caminho era longo, Berrini - Vila Olímpia - Cid. Jardim até sair do trânsito da marginal e pegar o busão Cidade Universitária; caminhei aliviada, feliz e inspirada com a força e determinação das formigas.
Formigas unidas jamais serão vencidas!