Aquele frio gelava o nariz, as mãos e as pernas. Um vento capaz de traspassar a alma fazia daquela tarde um dia triste e sem graça. Mesmo assim, quando todos prefeririam estar em casa, debaixo de quentes cobertores, nós andávamos. Enfrentávamos o tempo feio para estarmos perto.
Sem pressa ao andar, reparando em cada flor umedecida pela geada, conversávamos futilidades, prosaímos, brevidades da vida. Era tão divertido, e nem digo que pensávamos igualmente, não! Tínhamos opiniões contrárias, tal era o fervor do nosso debate que o frio perdia espaço. O calor aquecia nosso relacionamento, abrasava nossos corações. Ela tão bela, eu tão eu. Nós.
Andávamos.
De repente, parei. Ela continuava andando, alegre, ainda dizendo seu ponto de vista sobre aquele enigmático poema pessoano. Olhou para trás:
- Parou aí, foi?
- Ah, pegou-me uma terrível dúvida. Nem sei como dizê-la.
- Apenas diga! Vamos
.Silêncio.
- Você existe, Aninha?
- Como assim?
- Assim, existindo... Você existe?
- Bem, você bem sabe, a existência é nada mais, nada menos, que uma construção...
- Ai! Existe ou não?
Ela sorriu. Aquele riso faceiro, suave, leve, pacífico.
Que fofuxo....eu amei!!
ResponderExcluirSe não tem nenhuma mensagem por trás é belo...
ResponderExcluirVou ler mais algumas vezes e analisar...
Mas mesmo após analisar vai continuar belo
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